

A esquerda, Dra. Célia Corsino ex-superientende do Iphan MG. A direita, Professora Adélia Anise Raies de Souza esposa do Professor Moreira.
Antes transcrevo comentários que publiquei sobre o que entendo ser cerne para a glosa do mote de conversas:
Folclore: Meditação e Compreensão.
Tomo três declarações instigantes:
Se não tivesse uma torre de Babel, teríamos que construir uma. A diversidade torna a discussão crítica profunda. A única coisa que os parceiros de uma discussão têm de partilhar são o desejo de conhecer, e a disponibilidade para aprender com o companheiro, criticando severamente as suas opiniões – na versão mais forte possível que se puder dar dessas opiniões – e ouvindo o que ele tem para dizer como resposta. [ Popper, Karl R. O realismo e o objetivo da ciência, Lisboa: Dom Quixote, 1987. P. 40]
Se Alexandre realmente cortou o nó górdio, talvez isso tenha sido a razão por que as relações entre Aristóteles e seu pupilo se deterioraram mais tarde. Nada, de fato, poderia ser mais repugnante para o grande filósofo, que combatera os coups de force na retórica dos Sofistas, do que essa violação das regras do jogo, a extinção do problema em vez de sua solução honesta. [KAUFMANN, Felix. Metodologia das ciências sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977. P. 15]
Bem aventurados são todos que compreendem; mas duplamente Bem aventurados são os que compreendem que não compreendem! [R Panikar. Compreensão e Convicção.]
Estão aí três provocações instigantes. Popper exerceu esta prática, acredito, pela vida inteira de que são exemplos as obras “A Sociedade Democrática e seus inimigos” publicada em português no ano de 1958 com esse título. Em “O Futuro está aberto” conversa com Konrad Lorenz; em “O Eu e seu cérebro”, diálogo com John Ecless; e a mais conhecida conversa com Theodoro Adorno, na “Disputa sobre o Positivismo.”
Felix Kaufman traz-nos um alerta para as províncias de compreensão no primeiro período de sua obra sobre Metodologia. O exemplo fundado numa anedota é muito feliz. Narra-se que Felipe da Macedônia encontrou em Aristóteles o melhor preceptor para o filho que seria conhecido na história como Alexandre Magno, Alexandre O Grande. O sábio Aristóteles deu como primeira lição ao jovem Alexandre “desfazer um nó górdio”. O menino tomou da espada e cortou o cordão. Solução imediata para um problema sem exame da situação do problema.
Por último, apresento o enunciado de Raimundo Panikar. Entendo que esse enunciado não se compreende sem compreender a trajetória do autor. Panikar, ao longo da vida, decidiu-se pela compreensão radical do saber viver. Nada de “observação participante” para compreender “Por Quê”, vivência plena e radical para compreender “O Que”. Viveu como monge cristão, viveu como monge budista, aderiu a inúmeras províncias de fé. O desafio entre Compreensão e Convicção resulta dessa vivência. Imagino que um empreendimento desse porte desvenda sua conclusão em favor do Mithos como centro de orientação do viver e nos ajuda a compreender as práticas “modernas” de institucionalização de Ideologias para fingir a rejeição da “irracionalidade” dos mitos.
Imagino duas alternativas. Aderir ao mundo de Aristóteles: Nada se resolve sem atenção ao Estado da Questão; ou adorar o mundo de Alexandre: tudo se resolve com a espada na mão. Terceira via entre muitas bifurcações seria compreender Ideologias como construções de sociedades secretas. Louvo Simell e seu discurso “O Segredo e a Sociedade Secreta”. Imagine, meu querido leitor de Agosto, segredo é núcleo das ações do inconsciente.
Imagino agora sublinhar uma palestra proferida no ano de 1929 por Werner Sombart cujo título foi: “Compreensão”. Nessa palestra publicada na obra “Noosociologia” Sombart discorre sobre o núcleo da compreensão:
“O ponto de vista que eu apresento é de contrapor ao monismo gnoseológico científico natural, o pluralismo nos modos de conhecer. [SOMBART, Werner. Noosociología. Madrid: Instituto de Estudios Politicios, 1962. P.114]
Em seguida, deparo com uma senda para nossas conversas sobre Folclore.
“Pode-se dizer que a doutrina da compreensão no começo do século XIX já estava completamente formada. Seu pai espiritual é Herder. [p.113] Captação de sentido é captação do essencial, conhecimento que realiza o ideal de Fausto: “Que eu conheça o que o mundo em seu interior contém, contemple sua atividade e seus princípios, e já não me limite a uma confusão de palavras”. [p.116]
Eis aí o vinculo do romantismo, das volkskund, bem ao lado dos “tipos ideais” e o núcleo dos mitos.