


Professor José Moreira de Souza - Graduado pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, especialização pelo Instituto Cultural Newton Paiva Ferreira e mestrado em Sociologia pela Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Eu imagino que a palavra fábula é parente próxima da palavra falar. Este parentesco torna confortável nosso percurso no reino da linguagem e, ao mesmo tempo, é denúncia à pretensão de fábula ser apenas emprego do falar criado ao acaso, reino da livre associação.
A fábula se torna restrita aos contos de “quando os bichos falavam”. Assim é fábula o conto do encontro do lobo e o cordeiro; o veado e a onça, e por aí vai.
Quanto a lenda, é nome que designa nossa habilidade de ler. Lenda nos remete a um mundo de leitores credenciados. Para mim Lenda pode ser conceituada como “aquilo que merece ser lido”.
Eis a possível diferença entre fábula e lenda. Há hierarquia. Fábula opera o plano da oralidade: falar, conversar, dialogar. - É possível toda essa livre associação? Fábula é coisa de conversa fiada, e circula nas relações populares; já a lenda supõe um público leitor.
Vale a pena ir ao google e digitar
Fábula: digitei em primeiro lugar,
Transcrevo apenas o que julguei mais importante para falar:
“Fábula
Fábula é um texto predominantemente narrativo, quase sempre breve e em prosa, com personagens sem muita complexidade e história de caráter ético e moral.
Por Rafael Camargo de Oliveira
Continuei a leitura seletiva:
“A fábula é um texto narrativo de tendências didáticas muito utilizado no ensino de valores éticos e morais. Atualmente, ela é muito trabalhada nas escolas, principalmente nos anos iniciais, no intuito de demonstrar a importância de certos aspectos morais considerados socialmente essenciais em nosso tempo.
A discussão sobre a conduta do ser humano é antiga, o que pode ser demonstrado pela fábula, cuja possível origem foi estabelecida por Esopo, autor que viveu na Grécia entre os anos 620-560 a.C., quando já se tinha preocupações pedagógicas em relação à educação dos povos”
Mas me deparei com a distinção feita pelo autor de gêneros literários no parentesco: “fábula, apólogo e parábola”
Não vou entrar nessa, porque o autor não trouxe para conversa a categoria Lenda. Então, busquei Lenda. E selecionei: https://www.significados.com.br/lenda/
Agora leiam:
“Lenda é uma narrativa transmitida oralmente pelas pessoas, visando explicar acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais, misturando fatos reais, com imaginários ou fantasiosos, e que vão se modificando através do imaginário popular.
Conforme vão se popularizando, as lendas tendem a ser reproduzidas e registradas em forma de contos e histórias escritas, principalmente em livros.
Etimologicamente, a palavra lenda vem do latim medieval que quer dizer “aquilo que deve ser lido”.
E continua:
“As lendas tentam fornecer explicações para todos os acontecimentos e situações, inclusive para coisas que não apresentam explicação científica comprovada, como por exemplo os supostos fenômenos sobrenaturais.
A lenda pode ser explicada como uma degeneração do mito, porque como são repassadas oralmente de geração a geração, vão com o passar do tempo sendo alteradas. Como diz o ditado popular: “quem conta um conto, aumenta um ponto”.
Nossa! Com este percurso, deparamo-nos com mais palavras para ampliar nossa conversa: fábula, lendas, apólogos, parábolas, narrativas, contos, teorias, mitos. Nisso eu acrescento por minha conta “Ideologias”. Salto dos contos para discursos argumentativos.
Fábulas e lendas: Mote e glosas.
Vou restringir nossa conversa tomando das lendas e mitos uma característica dos contos chamados de populares com o nome de Mote. Mote é comando para desenvolvimento de uma conversa e se põe para ser glosado. Ou seja, gerar lendas, fábulas, alegorias, teorias, discursos de todos os gêneros.
Minha maior preocupação, ou seja meu mote se expressa na lenda-mito da Babel estudado por James George Frazer. A lenda de Babel, segundo Frazer narra o mito da comunicação impossível, a confusão da linguagem. [ver. La torre de Babel. In El Folklore en el Antiguo Testamiento. Mexico:Fondo de Cultura Económica, 1992. P. 188-201]
De imediato em minha conversa distingo mito de lenda. Lenda narra o mito. Sob este ponto de vista, lenda é a teorias do mito. Imediatamente, imagino este assunto para fábulas, no sentido do que merece constar em nossa fala. E seleciono duas lendas narradoras de mito para longas e intermináveis conversas sobre as lendas dedicadas ao mito do diálogo.